Bem-vindos ao blog da Flavia Rios de Histórias
Fico feliz em receber sua visita. O rio aí da foto é o Taquari que banha minha cidade natal, e, inspiradas na vazão de suas águas, minhas memórias escoarão pelo fluxo da internet.
sábado, 22 de agosto de 2015
Natal, poema de Othelo Rosa
NATAL
Othelo Rosa
Na véspera, a
mamãe sorrindo lhe dissera
De leve, acariciando
suas louras tranças
Que ela
rezasse muito ao outro dia
Que era o da
festa de Jesus, o amigo das crianças
Dos tristes,
dos pobres e dos pequeninos
Que ele
chamara um dia a seus braços divinos
Para dar-lhes
a crença e dar-lhes o conforto
Dando pão ao faminto
e dando vida ao morto.
E a vida lhe
contara
Deste deus bendito
cheio de amor
e cheio de doçura
Que andara
nesse mundo
A socorrer o
aflito,
pregando aos
homens maus uma doutrina pura.
E toda lhe
contara a sugestiva história
deste estranho rabi
Que se chamou
Jesus
Que se cobriu de
glórias
Para morrer
depois pregado numa cruz
à ilharga de
um ladrão.
Dormiu
serenamente
Com um riso a florir
nos lábios descerrados
Até que a
madrugada, lúcida e silente,
Começou a
clarear os céus estrelejados.
Risonha, despertou.
Sua velha mãe
dormia a um canto da mansarda solitária e fria
O sono da
fadiga, inquieto e interrompido,
de quem vive o
seu dia a morejar sem termo
na conquista
do pão nem sempre recolhido
à taleiga do
pobre, além de pobre, enfermo.
E então,
cuidosa, a pequenina
Andou de canto
em canto em busca do presente
Que nesta
noite clara e linda
devera lhe trazer do céu resplandescente
Como sempre
esquecida, nada achou.
E então ela
voltou ao leito
Sentindo pesar
em torno de si
a solidão sem
par do seu sonho desfeito.
Quando a mãe
despertou,
a loura
criancinha murmurou sua crença
Comovente mas
resignada
É mau o teu
Jesus, mamãe,
pois se esqueceu
de mim.
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