Bem-vindos ao blog da Flavia Rios de Histórias

Fico feliz em receber sua visita. O rio aí da foto é o Taquari que banha minha cidade natal, e, inspiradas na vazão de suas águas, minhas memórias escoarão pelo fluxo da internet.

sábado, 29 de novembro de 2008

Um dia para não esquecer



Se me perguntassem de que dia não esqueci, de pronto diria: não lembro!
O dia para não esquecer é aquele de que se esquece.
É comum. Tem cheiro de café novo. Feijão no meio-dia. Sesta sem ronco. À tarde, água nas plantas. Ao arrebol, gorgeio de aves.
E, à noite, depois da novela... rivotril.

domingo, 2 de novembro de 2008

A música


Da Terra, a beleza da múscia ao Céu nos conduz.


Estou sentada no chão, brincando com as bonequinhas de louça quando ouço os primeiros acordes de Santiago de Estero que meu pai executa: era sua predileta. Em outras oportunidades ouvíamos outras canções, sempre tocadas de ouvido. Uma flauta de madeira preta permanecia dobrada em três partes dentro de uma gaveta. Minha mãe e a Bibi tocavam valsas lidas em partituras. Assim, cresci ouvindo música ao vivo e posso dizer que venho de uma família musical. Minha participação era cantar. A mãe dizia muitas vezes que aos dois anos eu cantava La Paloma.

Quando os filhos fomos deixando a casa querida por necessidades de trabalho, ficaram os pais. Restaram para mim durante muito, na memória, os vultos dos dois vagando pela casa... e as músicas.

A casa já não existe e então, nos meus ouvidos, até hoje reproduzo sons de que não esquecerei. Sou capaz de repeti-los, a todos, os tijolos que contornavam nossa existência. Sou capaz de reproduzi-los um a um.