
Da Terra, a beleza da múscia ao Céu nos conduz.
Estou sentada no chão, brincando com as bonequinhas de louça quando ouço os primeiros acordes de Santiago de Estero que meu pai executa: era sua predileta. Em outras oportunidades ouvíamos outras canções, sempre tocadas de ouvido. Uma flauta de madeira preta permanecia dobrada em três partes dentro de uma gaveta. Minha mãe e a Bibi tocavam valsas lidas em partituras. Assim, cresci ouvindo música ao vivo e posso dizer que venho de uma família musical. Minha participação era cantar. A mãe dizia muitas vezes que aos dois anos eu cantava La Paloma.
Quando os filhos fomos deixando a casa querida por necessidades de trabalho, ficaram os pais. Restaram para mim durante muito, na memória, os vultos dos dois vagando pela casa... e as músicas.
A casa já não existe e então, nos meus ouvidos, até hoje reproduzo sons de que não esquecerei. Sou capaz de repeti-los, a todos, os tijolos que contornavam nossa existência. Sou capaz de reproduzi-los um a um.