
Aos acordes da música de fundo, o Repórter Esso anunciava os acontecimentos daquele dia com respeito ao desenrolar da II Guerra Mundial. Em Taquari, avanços e recuos, vitórias e derrotas dos aliados levavam todos à rua para comentários de júbilo ou de tristeza. No primeiro caso, a esses seguia-se uma grande festa nas esquinas, ponteadas de esperança e otimismo em relação a um desfecho favorável. Bradavam-se glórias aos que considerávamos os quatro heróis, Roosevelt, De Gaule, Stalin e Churchill. Confiávamos nas suas estratégias militares.
Como toda menina da época, fui para o colégio interno em outro município. Não havia Repórter Esso, nem periódicos, nenhuma notícia.
Era um mundo à parte.
Com a maturidade, consegui entender o sentimento daquelas pessoas, vítimas do clima de opressão. O colégio ficava em cidade de colonização alemã. Fotógrafos, valendo-se da situação, vendiam enormes quantidades de retratos de Getúlio Vargas aos moradores de Lajeado. Era a forma pela qual se defendiam quando abordados, uma maneira de expressar algum sentimento patriótico pelo Brasil. Sofriam assim uma violência tão bélica quanto o tiro de canhão.
Quando em 1945, foi selada a paz, terminei meus estudos.
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