Tio Quinca era, naqueles tempos, o divertimento da criançada da casa. Peregrinava de município em município pelas casas dos irmãos, cada qual deles intitulado politicamente “coronel”. Quando chegava à Chácara de meu avô, era tudo festa.
Tinha personalidade marcante, caracterizada, especialmente, por sua falta de compromisso diante da vida. Em suma, bom vivant, como se diria.
Ao chegar - exatamente naquele instante -, já o atendia por livre imposição de cinco a seis agregados da Chácara. Dois lhe ajudavam a apear e outro que servia o chimarrão e, ainda, mais dois lhe retiravam as botas. Um recolhia o cavalo e dois retiravam os arreios e demais apetrechos.
Numa dessas inesquecíveis visitas, Tio Quinca, vestindo o jaleco de meu avô que era homeopata e estava ausente, passou a atender a extensa clientela. Uma das pacientes, dona-de-casa queixou-se: “- Doutor esta dor não me deixa, atravessa minhas costas toda vez que “assopro”o fogo”. “- Minha Senhora - disse o tio Quincas - quem tem este mal não pode soprar o fogo...”
Bem-vindos ao blog da Flavia Rios de Histórias
Fico feliz em receber sua visita. O rio aí da foto é o Taquari que banha minha cidade natal, e, inspiradas na vazão de suas águas, minhas memórias escoarão pelo fluxo da internet.
domingo, 5 de abril de 2009
sábado, 7 de fevereiro de 2009
quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
Um história para não esquecer
Tia Sinhá ainda hoje é lembrada pelos que a conheceram e levam ao seu túmulo flores de gratidão. Costumava visitar os doentes em suas casas, levando-lhes tudo o que poderiam necessitar. Era uma santa.
Esta página pertence ao passado, bem passado... quase um século.
Em visita à Amarina, conhecida por tia Mila, falamos a respeito dessa nossa antepassada. Contou-me que na sua infância, estava doente de cama, com muita febre e nada a consolava. Tinha ficado órfã há poucos dias e sentia um mal sem fim. Tia Sinhá, em palavras de carinho e a mão sobre os cabelos, conversava com candura. Tia Mila então foi sentindo uma melhora confortadora que a foi levando à saúde total. E então, tia Mila me disse que tinha sido "vítima de generosidade extrema".
sábado, 29 de novembro de 2008
Um dia para não esquecer
domingo, 2 de novembro de 2008
A música

Da Terra, a beleza da múscia ao Céu nos conduz.
Estou sentada no chão, brincando com as bonequinhas de louça quando ouço os primeiros acordes de Santiago de Estero que meu pai executa: era sua predileta. Em outras oportunidades ouvíamos outras canções, sempre tocadas de ouvido. Uma flauta de madeira preta permanecia dobrada em três partes dentro de uma gaveta. Minha mãe e a Bibi tocavam valsas lidas em partituras. Assim, cresci ouvindo música ao vivo e posso dizer que venho de uma família musical. Minha participação era cantar. A mãe dizia muitas vezes que aos dois anos eu cantava La Paloma.
Quando os filhos fomos deixando a casa querida por necessidades de trabalho, ficaram os pais. Restaram para mim durante muito, na memória, os vultos dos dois vagando pela casa... e as músicas.
A casa já não existe e então, nos meus ouvidos, até hoje reproduzo sons de que não esquecerei. Sou capaz de repeti-los, a todos, os tijolos que contornavam nossa existência. Sou capaz de reproduzi-los um a um.
quinta-feira, 9 de outubro de 2008
quinta-feira, 2 de outubro de 2008
No jardim

Alguém já disse que o passarinho, posando no ramo verde, não se intimida. Tem asas.
Esse o meu sentimento ao visitar o jardim de casa. Contemplo o passado e, então, repouso no orquidário criado pelo pai. Vou em direção ao futuro e festejo a nova estação. De volta ao presente, penso: os espinhos da roseira não intimidam a flor que, esplendorosa, alarga os horizontes da natureza.
É a vida na sua plenitude.
Espinhos e rosas...
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